O Potencial da EaD na Integralização da Extensão Universitária
Resumo
A curricularização da extensão universitária, instituída como política pública voltada ao fortalecimento da articulação entre ensino, pesquisa e extensão no ensino superior brasileiro, tem demandado das instituições a construção de estratégias capazes de assegurar a participação efetiva dos acadêmicos em ações extensionistas. Entretanto, para estudantes trabalhadores, a realização de atividades presenciais pode representar um desafio à integralização da carga horária exigida, em virtude de limitações relacionadas ao deslocamento, à disponibilidade de tempo e às condições socioeconômicas. Nesse contexto, o presente estudo analisa as potencialidades da Educação a Distância (EaD) como estratégia para a democratização do acesso à extensão universitária e para o fortalecimento das políticas de permanência no ensino superior. Trata-se de um estudo de caso, de caráter descritivo-analítico, desenvolvido a partir da análise dos dados coletados por meio do formulário de inscrição de um curso de extensão ofertado na modalidade EaD, realizado em parceria entre a Universidade Federal de Goiás (UFG) e a Universidade Estadual de Goiás (UEG). A ação extensionista, fundamentada nos princípios da educação antirracista, teve como objetivo promover processo formativo comprometido com a equidade, a inclusão e a justiça social, atendendo acadêmicos, profissionais da educação e membros da comunidade externa. Os dados analisados evidenciam expressiva adesão à proposta formativa e revelam que a modalidade EaD contribui para a superação de barreiras geográficas, econômicas e temporais que historicamente restringem a participação de determinados grupos sociais nas ações de extensão universitária. Conclui-se que a EaD constitui uma estratégia relevante para a efetivação da curricularização da extensão, favorecendo a ampliação das oportunidades formativas, o fortalecimento da permanência acadêmica e a democratização das ações extensionistas no ensino superior.
Referências
BRASIL. Decreto nº 12.456, de 19 de maio de 2025. Brasília, DF, 20 mai. 2025.
BRASIL. Lei nº 11.645, de 10 de março de 2008. Brasília, DF, 11 mar. 2008.
BRASIL. Lei nº 10.639, de 9 de janeiro de 2003. Brasília, DF, 9 jan. 2003.
FERNANDES, Florestan. Universidade brasileira: reforma ou revolução? São Paulo: Expressão Popular, 2ª ed., 2020.
FREIRE, Paulo. Extensão ou comunicação? Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2021.
GADOTTI, Moacir. Extensão Universitária: Para quê? Instituto Paulo Freire, 2017.
GOMES, Nilma Lino. Relações étnico-raciais, educação e descolonização dos currículos. Currículo sem Fronteiras, v. 12, n. 1, jan./abr. 2012.
MUNANGA, Kabengele. Superando o racismo na escola. 2. ed. Brasília: Ministério da Educação, Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade, 2005.
